Mais de 20% das crianças curitibanas têm perda auditiva


CampanhaCampanha quer provar que exame simples pode garantir a integridade auditiva e assegurar o bom aprendizado.

 

Mais de 20% crianças do ensino fundamental de Curitiba apresentam alterações auditivas que podem interferir no aprendizado escolar. Apesar disso, pais ou professores de 75% delas não sabem da existência do problema, que precisa ser identificado e tratado precocemente, assim que são notadas as primeiras alterações na audição. Este é o propósito da campanha “Aluno que Escuta Bem, Aprende Melhor”, ação social destinada a impedir que a desinformação seja a principal responsável pelo agravamento de doenças que poderiam ser evitadas.

A campanha educativa coincide com o início do ano letivo e é uma promoção do Centro de Pesquisa e Avaliação Auditiva (CPAA), em parceria científica com o Programa Infantil Phonak e COPEC (Clínica de Otorrinolaringologia Pediátrica de Curitba).

O CPAA é uma instituição formada por otorrinolaringologistas pediátricos e fonoaudiólogos com experiência clínica e cirúrgica nos principais hospitais de Curitiba. Desde 1998, esse grupo vem estudando e avaliando mais de 700 crianças portadoras de algum tipo de alteração auditiva leve, moderada ou grave matriculadas no ensino fundamental.

A série de trabalhos realizados pelo Centro comprovou que, entre 23 a 26% das crianças na faixa etária entre os três a seis anos apresentam algum tipo de alteração auditiva.  Porém, 75% dos seus pais e 66% dos seus professores, respectivamente, não perceberam o problema.  De posse desses e de outros indicadores, os profissionais do CPAA começaram a desenvolver as estratégias da campanha, incluindo palestras, produção de folder, criação de uma homepage e apoio da mídia.

Simone Bley, fonoaudióloga e uma das coordenadoras, diz que a estratégia tem como objetivo sensibilizar a comunidade de que “o exame de audição deve ser tão levado a sério quanto o exame de rotina da visão ou de qualquer outra forma de check up na criança”.

Principais sinais

O otorrinolaringologista pediátrico Rodrigo Guimarães Pereira, outro coordenador da campanha, explica que é possível os pais e professores perceberem quando uma criança apresenta uma perda auditiva leve. Basta notarem se ela precisa aumentar o volume de aparelhos de som, da televisão, se aparenta estar desatenta, se costuma não atender aos chamados da família, dos amigos ou do professor.

O médico alerta, por outro lado, que, “toda criança surda diagnosticada tardiamente terá uma demanda de tratamentos muito maior e mais cara do que quando o diagnóstico é feito no tempo correto”. Quando chega a esse estágio, uma perda auditiva pode provocar dificuldades de concentração, de memorização, da fala, de compreensão de palavras e até alterações articulares, entre outros.

A evolução de uma perda auditiva, acrescenta, "pode se arrastar por muitos anos, se transformar em problema de saúde pública, principalmente em um país de contrastes como o Brasil", de acordo com Rodrigo Pereira.