Respiração bucal e perda auditiva na infância: ambos de alta incidência, porém desconhecidos



altLondrina foi sede de uma jornada sobreos dois temas, com a participação da equipe da Copec.

A respiração bucal na infância e as implicações da perda auditiva estarão na pauta central do evento. Os dois problemas têm similaridades que os tornam um desafio. Possuem alta incidência, são desconhecidos pelos pais, podem evoluir para doenças graves e nem sempre um clínico sabe identificá-los na primeira consulta. Uma jornada realizada em Londrina, organizada pela Sociedade Paranaense de Pediatria, teve por objetivo quebrar a barreira da desinformação, ao convidar autoridades na área como palestrantes. Entre eles, os otorrinolaringologistas pediátricos Lauro Lobo Alcântara, Rodrigo Guimarães Pereira, Trissia Maria Vassoler e Elise Zimmermann. Todos integram o corpo clínico do Centro de Otorrinolaringologia Pediátrica de Curitiba (Copec).

A respiração bucal na infância é muito mais frequente do que se imagina: mais 30% das crianças brasileiras respiram pela boca e apresentam a chamada "síndrome a respiração bucal", de acordo com o otorrinolaringologista pediátrico Lauro Lobo Alcântara. Em sua experiência clínica, o especialista relatou que, entre cem pacientes novos seqüenciais que atendeu em determinado período, 64% tinham como queixas iniciais sinais e sintomas típicos da respiração bucal. A maioria, no entanto, não fazia correlação desses problemas com a doença, nem com as suas graves implicações à criança.

A respiração, explica, "deve ser nasal", pois a criança respiradora bucal, irá fatalmente apresentar inúmeras alterações, sendo a mais frequente e bastante visível o transtorno do crescimento orofacial. A mordida fica aberta (dentuça), o pálato (céu da boca) fica alto com a mordida cruzada, alem do encurtamento do lábio superior e eversão do lábio inferior. Consequentemente, a criança acaba ficando com uma fisionomia pouco expressiva. Além destas sequelas, apresenta danos para todo o organismo, sendo o pior o "cor-pulmonale", que vem a ser uma insuficiência cardíaca de graves conseqüências.

Os sinais clínicos mais visíveis da respiração bucal são o ronco, um sono agitado, com muitos movimentos das pernas, muitas vezes descrito como se a criança fosse encalorada e, por vezes, sudorese. A criança apresenta quadro de irritabilidade, alternando agitação (muitas vezes confundido com hiperatividade), baixo rendimento escolar e com quadro de sonolência.

Problemas de audição
A perda auditiva desafia a medicina e a evolução de uma perda pode se arrastar por muitos anos, se transformar em problema de saúde pública, principalmente em países como o Brasil, de acordo com o otorrinolaringologista pediátrico Rodrigo Guimarães Pereira, também palestrante da jornada. Para prevenir e identificar precocemente o problema, evitando esses impactos, pais devem notar, "se a criança precisa aumentar o volume de aparelhos de som, da televisão, se aparenta estar desatenta, se costuma não atender aos chamados da família, dos amigos ou do professor", adverte.

Rodrigo Pereira diz que, "toda criança surda diagnosticada tardiamente terá uma demanda de tratamentos muito maior e mais cara do que quando o diagnóstico é feito no tempo correto". Quando chega a esse estágio, uma perda auditiva pode provocar dificuldades de concentração, de memorização, da fala, de compreensão de palavras e até alterações articulares.